
O documentário sobre o trabalho da organização não-governamental Doutores da Alegria estréia na sexta-feira nos cinemas com uma dupla indicação aos espectadores: não apenas foi premiado no Festival de Cinema Brasileiro de Nova York, como também aplaudido de pé em Gramado, quando levou o prêmio especial do júri e o do júri popular no festival gaúcho. O filme chega aos cinemas de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Brasília.
O reconhecimento é válido. O sensível documentário capta de forma precisa e sem pieguices o trabalho dos 37 atores que levam um pouco de esperança a crianças com câncer e outras doenças gravíssimas.
Seja em hospitais de São Paulo, Rio de Janeiro ou Recife, o grupo de palhaços já atendeu mais de 350 mil crianças nos 14 anos de existência da organização. Na produção, os depoimentos dos atores são intercalados com comoventes cenas reais. A diretora Mara Mourão -- que também assina a direção das comédias "Alô!" e "Avassaladoras"--, mulher de Wellington Nogueira, fundador dos Doutores, sabe aproveitar cada tomada.
Pelas lentes ocultas da cineasta, mostra-se que embora exista a impotência frente à doença, a gradual aproximação entre pacientes, médicos e artistas constrói um cenário que ultrapassa os muros dos hospitais, criando um mundo lúdico dentro das mais severas restrições médicas.
À primeira vista, o espectador mais bem informado pode tentar compará-lo à produção "Palhaços em Cabul" (2002), sucesso da 26a. Mostra BR de Cinema.
No entanto, enquanto este mostrava as conseqüências emocionais devastadoras para os 21 palhaços voluntários que vão ao Afeganistão na tentativa de levar alegria ao país em guerra, "Doutores da Alegria" é menos dramático e comprova os benefícios dessa verdadeira terapia do riso para as crianças.
Vale lembrar que toda a renda arrecadada pela exibição de "Doutores da Alegria" será revertida para a entidade, que pretende agora criar um grupo de formação, ou seja, uma verdadeira escola de palhaços cujo objetivo é humanizar as relações entre médico e paciente, provando que rir às vezes pode ser o melhor remédio.
sábado, 16 de junho de 2007
Doutores da Alegria vira filme
Marcadores: Curiosidade, História
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